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quinta-feira, 18 de julho de 2019

Eu sou growth hacker e não sabia




Quando comecei a trabalhar em marketing direto (que até hoje alguns, erradamente, confundem com mala direta) o que mais me encantou foi a possibilidade de medir tudo: respostas, vendas, leads, custos, retorno sobre investimento, valor do cliente, churn...

O marketing direto foi mudando de nome com o tempo. Virou Database Marketing, CRM, Marketing One-to-One até chegarmos no mundo digital, o paraíso de quem gosta de métricas em marketing e comunicação.

Hoje recebi uma mensagem da Veronique, parceira desde os tempos em que éramos marketeiros diretos, e descobrimos que agora somos Growth Hackers.

O texto dizia o seguinte: “Caso você não saiba o que é growth hacking ou processo científico ainda, vou explicar com exemplos:

·      Você sabe exatamente quanto você está pagando por cada cliente que faz uma compra em sua empresa?

·      Você sabe quanto exatamente cada cliente deixa de faturamento pro seu negócio dentro de um ano?

·      Você sabe de quantos leads você precisa para fazer uma venda?

·      Qual é a taxa de retenção média de seus usuários dentro de um mês?

·      Ou qual foi a "safra" de clientes que mais deu resultado até hoje para você?”

Não só sempre soubemos essas respostas (e muitas outras) como sabemos até hoje como melhorar cada um desses indicadores para aumentar vendas e lucros dos nossos clientes.

O texto ainda fala de processo científico (sim, sempre foi uma mistura de matemática, dados, estatística, criatividade e, acima de tudo, o bom senso de saber fazer as perguntas certas).

Também diz que quem não domina esse processo está perdendo dinheiro e que não vai sobreviver, coincidência ou não, eu já escrevo sobre isso há não pouco tempo.

Você pode ler aqui ou aqui

O mundo passou e passa continuamente por mudanças. 

Uma coisa, porém, não muda, negócios que não sabem medir seus resultados e planejar ações a partir deles, continuarão a ser a praia dos shrink hackers.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

7 ways to improve your social marketing


As a marketing professional I am concerned about innovation and I am always looking for new ways to improve results both for me and my clients.
I have recently decided to take a deeper look in what is considered the new nirvana of business: the social networks.

It seems that almost all marketers involved in this medium are looking for what they call engagement, which, according to their definitions, is the quantity of likes, shares and comments on their posts.

When I got married I didn’t get engaged. I´ve never had a fiancée in my life, since I´ve never been convinced what the use of an engagement is. Similarly, I understand that the goal of commercial relationship is the marriage, i.e., the sale.

However, if engagement is the buzz, let´s work on how to improve it. So I went into the playing field and found out which the most effective ways to get a lot of likes, shares and comments are, as follows:

1.   The language trap: always publish your posts, articles, and papers in English. No matter where you live and what second class language is spoken in your country (in mine is Portuguese, a late Latin derived language). English improves the value of the writer and gets more attention of the public you want to reach. If you don´t know English, Google Translator can help you (it´ll help a lot of your readers too, so, what´s the use of being a nationalist?)

2.   Make an offer they cannot refuse: if you want to build a huge database of gullible people you just have to make a gullible offer like an Excel spreadsheet, a WhatsApp group to unemployed persons or even an article about how to improve your social marketing. I´ve already written about this subject but, unfortunately, the article was in Portuguese, so no one paid serious attention.

3.   Hyperlink to exhaustion: since it´s not practical to hyperlink each and every word, at least insert a hyperlink per paragraph. I do strongly recommend you  shorten all your hyperlinks so that the reader cannot identify where he is being led to (and insert some absurd ones in order to confuse your audience or to make them think you are a funny guy).

4.   Viral is cool: do you want to be over shared? Say your content has turned viral, even if it hasn´t, it will. This is the simplest way to make it through in as many social networks as possible.

5.   Quote famous people. Borges said that “life itself is a quotation”, and Roux used to say “A fine quotation is a diamond in the hand of a man of wit and a pebble in the hand of a fool.” On the other hand, Baldwin remarked: “When one begins living by habit and by quotations, one has begun to stop living”. But who was Baldwin anyway?

6.   In the shoulder of giants: illustrate your content with images of great business people. Steve Jobs is a must when you want to look innovative. Zuckerberg is fine when writing about social. If you are writing about strategy Welch or Porter are the men.

7.   The best title: finally, remember to title your post with a numeral. Always use odd numbers that lead to a miracle solution. They seem to be more attractive. The only even number accepted is ten (I assume it has something to do with Moses commandments). People like to consume plug-and-play instructions so they don´t need to use their neurons, which is a tiresome activity.

If following all the above instructions you don´t succeed, you can always blame your public who was not sufficiently intelligent to understand your witty approach.

segunda-feira, 23 de março de 2015

O fator analógico do marketing digital

Não é fácil falar em marketing digital num mundo que está repleto de informações a respeito desse assunto. Sempre existe o risco de ser redundante, superficial ou irrelevante.
Convidado a falar a esse respeito, por 6 minutos, num evento da M11 Education, me lancei ao duplo desafio do tempo e do conteúdo.
Existem várias formas de se começar uma apresentação sobre marketing digital.
A primeira, e mais tradicional, é mostrar uma avalanche de números e soterrar a audiência com gráficos.
Mas não. Quem está no mundo empresarial e de marketing já viu isso infinitas vezes e não precisa de números para acreditar que o assunto é importante. Quem não viu, pode encontrar facilmente essas estatísticas…no mundo digital.
Outra possibilidade é a de mostrar as tecnologias disponíveis para navegar mercadologicamente no oceano virtual.
Mas não. O risco é matar o leitor de tédio com um monte de siglas e nomes que lembram as hiperconsonantais línguas eslavas.
Eu também poderia mostrar infográficos sobre a complexidade do negócio. O da Luma é um dos mais vistos em todo mundo. O do metrô de Londres, um dos mais originais.
Mas não. É impossível decompor esse emaranhado em 6 minutos e, falando a verdade, outros negócios são tão ou mais complexos que esse (basta parar para pensar um pouco na cadeia de negócios de um supermercado ou de uma montadora para reconhecer isso).
Por isso resolvi me focar na parte mais importante e menos levada em consideração do marketing digital: as pessoas.
É o lado mais analógico do mundo digital que realmente importa para o sucesso do marketing de qualquer empresa.
Conhecer e entender esse ativo inexplorado que temos é o único diferencial competitivo que as empresas podem ter.
Muito antes do marketing digital, Jack Welsh já avisava que só existiam duas fontes de vantagem competitiva nesse mundo comoditizado: a capacidade de entender os clientes e a capacidade de agir, com esse conhecimento, antes da concorrência.
Colocar a sua empresa no mundo virtual – e não existe a alternativa de não colocá-la – é sair do universo do monólogo e do discurso um-para-muitos e entrar de cabeça no universo do diálogo. O muitos-para-muitos.
Os mercados não são mais setores sócio demográficos ou segmentos com rótulos engraçadinhos. Não acredite em que diga que existem 3, 7 ou 25 tipos de clientes.
Não fique refém de generalizações de gerações. Conheça cada uma delas, mas o seu sucesso vai depender do conhecimento pessoal de cada cliente ou prospect. E eles não vem com um carimbo na testa dizendo qual é a sua classificação mercadológica.
Os mercados, já preconizava o Cluetrain, são conversações. Diálogo entre indivíduos e a sua marca. Entre nessa conversa, descubra os que as pessoas pensam sobre sua empresa e sobre os seus produtos. E não se surpreenda ao descobrir que elas sabem muito mais a seu respeito do que você imagina.
Quem supõe fazer no marketing digital o velho marketing top down dos meios de comunicação de massa está enganando a si mesmo.
Você vai precisar aprender mais antropologia, sociologia e psicologia do que escrever códigos ou criar algoritmos (para isso existem excelentes profissionais no mercado).
Vai precisar ler Tonnies e suas conclusões sobre o funcionamento de comunidades. Vai precisar ler Baumann e sua modernidade líquida. Vai precisar ler Burt para entender a rede de “vizinhos”.
E vai precisar continuamente fazer a leitura dos seus mercados.
Encoste a barriga no balcão virtual. Não se entende as pessoas somente lendo relatórios de monitoramento. Abandone as desculpas de falta de tempo, das mensagens bregas das redes sociais. Experimente passar um tempo operando o chat da sua central de atendimento online, isso vai te dar mais insights que qualquer estatística.
Não tente manobrar ou enganar o seu público. Conte histórias. Se forem fictícias, deixe isso claro. Não tente esconder sua marca quando seu objetivo é encantar as pessoas. Os mercados não são idiotas e vão se vingar se você não for honesto.
Aprenda a ouvir (ou ler). Eu sei, não fomos educados para isso. Mas é o que importa no mundo das conversações.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A fragilidade dos biscoitos



Uma das características importantes do processo de fabricação de biscoitos é o seu duplo cozimento (daí o nome biscotti) com o objetivo de reduzir significativamente a umidade da massa para obter um produto final “sequinho” e crocante.

Essa qualidade dos biscoitos, por outro lado, os tornam mais suscetíveis a quebra e esfarelamento. Um bom biscoito pode ser muito saboroso, mas é sempre bastante frágil.

Na Internet, os biscoitos são usados desde 1994 quando, originalmente foram chamados de “magic cookies”, são um grupo de dados trocados entre o navegador e o servidor de páginas, colocado num arquivo de texto criado no computador do utilizador. A sua função principal é a de manter a persistência de sessões de navegação e identificar um usuário quando ele volta ao mesmo site ou página web.

Em tempos de big data, o sonho dourado dos gestores de informação e dos profissionais de marketing é conseguir relacionar os dados que tenham dos seus clientes e prospects em seus sistemas de database com o comportamento de navegação e, com isso, comunicar-se com eles de forma mais incisiva, relevante e imediata. Claro, mais lucrativa.

A ponte entre os dados (cadastrais e transacionais) e as informações de comportamento na web se faz através de um PII (personally  identifiable information), uma informação que seja exclusiva daquela pessoa. 

No mundo analógico o PII pode ser a sua impressão digital, sua identidade ou, quem sabe, sua seqüência de DNA. 

No mundo digital, pode ser seu endereço de e-mail, seu login ou até sua assinatura do Twitter ou do Facebook.

O problema é que nem todas as pessoas estão dispostas a fornecer esses dados para navegar, aliás, a maioria das pessoas não fornece esses dados sem a garantia de que terão algo como contrapartida. O mundo não é mais feito de bobos.

As empresas, por outro lado, querem a informação, mas estão pouco dispostas a investir nelas, preferindo gravar cookies nas máquinas dos usuários e usá-los como PII. Uma identificação simples, prática e barata. Bem ao gosto do paladar corporativo.

O problema é que, assim como seus primos comestíveis, esses biscoitos são extremamente frágeis e, por quebrarem-se com facilidade, obrigam os sistemas que fazem a ponte dos dados a reconstruir continuamente essas pontes (assim como certas obras públicas)

A primeira fragilidade reside no fato de que um cookie identifica uma máquina e não uma pessoa e, se mais de uma pessoa usa a mesmo equipamento, a empresa pode ter uma visão do cliente bem distorcida. (quando entro sem me logar no Youtube, recebo muitas sugestões que quem deveria ver é a minha filha...).

Se o cookie for associado ao IP da máquina pior ainda, todos os nossos provedores de internet trabalham com IPs dinâmicos, o que significa que você pode receber as promoções dirigidas para o seu vizinho que assina o mesmo provedor. Espero que sua mulher não esteja a seu lado quando ligar seu computador.

A segunda fragilidade é a da sobrevivência dos cookies. Muita gente ainda acredita que cookie é sinônimo de vírus, algo “do mal” e, por isso, configuram suas máquinas para que rejeite cookies ou que apague todos eles cada vez que a máquina é desligada.

Mesmo que o usuário não seja um paranóico fugitivo do biscoito selvagem, isso não significa que ao fazer uma limpeza de arquivos temporários, de tempos em tempos, ele não mande para o lixo todos os cookies que depositou na despensa digital dele.

Claro que é preciso fazer contas, o que custa mais caro, ter um PII permanente dos usuários ou reprocessar várias o mesmo sujeito que eliminou os cookies? No curto prazo certamente a primeira opção demanda mais esforço e investimento mas, eu imagino, deva valer a pena no longo prazo.

Ah...no longo prazo você já estará trabalhando em outra empresa. Entendi.

PS: boa lembrança do Cavallini - talvez pior que o IP dinâmico é o IP genérico (uma empresa com 300 computadores pode ter um só ip de saída)

sábado, 20 de abril de 2013

# Eu desconcordo *

Animado com a excelente qualidade do Metrics Summit que assisti no final do ano passado fui passar o dia de hoje em mais um evento da Media Education, dessa vez sobre Social Media (#smsummit)

O impacto inicial foi dos melhores, o auditório da ESPM deve ser um pouco menor que o do shopping Frei Caneca (onde aconteceu o evento anterior) mas, pelo menos dessa vez, existia acesso livre à internet, o que permitiu acompanhar online, em tempo real, a reação do público que estava lá.

Através de uma observação genérica e aleatória identifiquei um perfil muito semelhante aos outros eventos digitais que já fui, ou seja, eu deveria ser o único sujeito com mais de 35 anos dentro do auditório (o Rogério Carpi não conta pois foi embora cedo)

Uma pena que a entrega do conteúdo não acompanhou a proposta e, nem de longe (nem de perto), teve a qualidade do Metrics.

O modelo de apresentações desestruturadas, mesas de debates sem ter alguém que fizesse uma apresentação formal do assunto, levou a uma coleção de achismos enorme. O termo que mais se ouvia era “na minha opinião...”

Pior, mesmo tendo temas pré-definidos, as mesas que assisti (resisti bravamente até metade da tarde – tenho certeza que depois vou ler que as melhores palestras foram as duas últimas que não assisti), sem exceção, fugiram do assunto. Tanto que o que o público mais gostou foi da apresentação solo do advogado: estruturada, focada no tema e, apesar dos detratores, com um PPT dando o roteiro da fala.

Apesar disso, se salvou a segunda mesa da tarde, mesmo fugindo do assunto, os participantes tinham mais conteúdo para entregar.

De social media mesmo, pouco se falou, a menos que você acredite que social media se resuma aos likes e shares do Facebook. O curioso é que todo mundo se apoiava no FB, mas todos os comentários do público aconteciam via Twitter.

Eu me queixei bastante das obviedades que ouvi mas, talvez, como bem me lembrou o Rogério, deve ser porque eu sou macaco velho do marketing e já tenha passado pelas mesmas discussões no mundo analógico (criação x planejamento... repercussão x resultado... )

Mas não desculpo as abobrinhas como ouvir que métrica acaba com a poesia da publicidade. A poesia de boa qualidade se encaixa nas mais rigorosas métricas (alexandrinos, redondilhas maiores e menores, sem contar as métricas que consideravam além das sílabas, as sua tônicas).

Quem quer fazer publicidade sem prestar conta de resultado que procure clientes que joguem dinheiro no lixo.

Além disso achei muito indelicado por parte da organização recomendar que as pessoas fizessem perguntas inteligentes (somos todos burros?). Se quiserem ter controle das perguntas que obriguem que as mesmas sejam feitas por escrito e filtradas pelo moderador, simples assim (e ainda mais simples em tempos de vida digital).

Ainda não decidi se vou ao Content Summit em Junho, depois vou olhar o programa, se tiver a mesma estrutura do Metrics eu até me animo, se for nesse formato do Media, eu passo.

*neologismo criado durante o evento que, de longe, gerou mais engajamento que seu concorrente “draivar”

** a imagem é de um tratado de métrica em poesia



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Um dia de spam

Como qualquer ser humano que tem um endereço de e-mail eu reclamo da quantidade de spam que recebo todos os dias.

Com a impressão de que esse número está crescendo todos os dias eu resolvi fazer um teste pessoal.

À meia noite de um sábado para domingo limpei todas as caixas de spam e de entrada dos meus três endereços de e-mail e 24 horas depois fui checar o que tinha acontecido.

Meu e-mail pessoal tinha 115 mensagens indesejadas e não autorizadas. O e-mail de trabalho mais 101. Meu endereço alternativo, talvez pelo fato de não ser divulgado, apenas 16.

232 mensagens inúteis. Cerca de 10 mensagens por hora, uma a cada 6 minutos.

E talvez ainda seja pouco considerando que domingo não é dos dias mais pesados nos envios de e-mails, mas projeta que no decorrer do próximo ano eu vou receber cerca de 85 mil mensagens de spam.

Haja caixa de entrada!

Claro que como qualquer outro ser humano eu busco formas de me proteger desse ataque massivo. Coloco mais ferramentas de anti-spam, bloqueio domínios e crio regras para direcionar determinados remetentes diretamente para a lixeira.

Por outro lado, como marketeiro, lamento que o uso da mídia sem nenhuma segmentação, nenhuma relevância e nenhum respeito aos consumidores, vai levá-la à morte (já ouço, não tão longe, seus estertores)

Afinal de contas, para que segmentar e se preocupar com relevância se mandar e-mail é tão barato? Não era isso que propunha Mr Rapp há 3 anos?

Hoje as novas gerações não usam e-mails para conversar. Quando muito têm uma conta que lhes permita se cadastrar nos sites e aplicativos que lhes convém e onde trocam informações entre si sobre aquilo que lhes interessa.

Pelo menos até que a mídia que usem seja invadida por anúncios massivos e generalistas.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Receita de Futuro*


Fazer previsões não é fácil, especialmente sobre o futuro, já diria o físico Niels Bohr, o que não quer dizer que as pessoas não queiram saber o que vem por aí. Não é diferente nos negócios. Pelo contrário, não existe meio que mais queira saber as previsões, tendências, expectativas que esse. Para nós, que trabalhamos com marketing, o desejo é descobrir como é que os consumidores vão se comportar e usar essa informação como diferencial competitivo.

A influência da tecnologia e a forma como essa vem mudando o comportamento das pessoas vai continuar a dar o tom do cenário de marketing nos próximos anos. Não é diferente no mercado de Health Care. Ainda que no passado a classe médica tenha sido muito resistente ao uso da Internet esse cenário mudou muito com a invasão dos dispositivos móveis. A diversificação das mídias digitais e redes sociais deu aos marketeiros uma infinidade de caminhos para engajar seus públicos nas suas mensagens, mesmo considerando as limitações regulatórias que existem nesse mercado.

Abaixo eu deixo a minha lista de tendências, previsões e dicas para os profissionais de marketing de Health Care (espero que não fiquem desatualizadas entre o momento que eu escrevo e a publicação do texto) mas, antes que você leia a relação lembre-se do mantra do consumidor, que também é o mantra do HealthCare: "nós queremos relevância e conveniência". Se o seu marketing não tiver essa realidade na cabeça o tempo todo de nada vai adiantar todo o resto.

1. Saúde peg&faça : as pessoas estão cada vez mais se informando, se diagnosticando e, quando conseguem, se medicando através do Google. Chegam aos seus médicos com folhas impressas de tudo que encontraram sobre sua suposta doença. Claro que os médicos odeiam isso, mas é inevitável que se deparem com o fato. O que os médicos precisam é de ferramentas que lhes deem respostas rápidas nessas situações.

2. Homo portabilis: hoje já temos mais celulares que habitantes no país, as estatísticas sobre acesso móvel por tablets são limitadas mas não dá para fingir que o mundo não está se tornando móvel. Garanta que o seu marketing seja adequado para esses meios e não somente uma gambiarra do seu website que fique bonitinha num smartphone.

3. Saúde não é piada: se a única forma de você atingir seus públicos é com humor é porque seus produtos (ou sua comunicação) têm problemas. Quando um médico ou um paciente procura informações sobre você ou seus produtos é porque eles têm algo sério a resolver. Deixe as brincadeiras para sua convenção de vendas.

4. Redes de apoio: pessoas gostam de trocar informações com quem passa pelos mesmos problemas. Isso vale para pacientes e para os profissionais de saúde. Você pode criar ou patrocinar comunidades de temas específicos e, se não o fizer, as pessoas vão criar as comunidades por conta própria. Cuidado, não transforme uma comunidade em espaço publicitário, senão vai perder todos os seus membros.

5. Geração YouTube: estamos mais interativos e, ao mesmo tempo, mais preguiçosos. Queremos a informação e queremos imediatamente (se você não for rápido, alguém será). Porque insistir em mandar textos científicos em PDF que raramente serão lidos quando se pode fazer um vídeo (mesmo de baixo custo, só com slides e narração) cuja probabilidade de ser visto até o fim é muito maior?

6. Integre, integre, integre: essa talvez seja minha única profecia, daqui um tempo me elogie ou me corrija. A moda atual de "gamification" (transformar informação em jogos que atraiam e conquistem a atenção dos consumidores) tende à overdose. O seu aplicativo sensacional de hoje, amanhã estará perdido no meio de 300 mil outros aplicativos mais sensacionais que seus clientes vão baixar nos próximos meses. A forma definitiva de sofisticação é a simplicidade, já diria Da Vinci, é melhor ter uma plataforma única com todos os recursos facilmente acessíveis para os médicos ou pacientes do que uma infinidade de aplicativos isolados. Além do fato de que isso cria uma enorme barreira de saída, já que não será fácil para os usuários migrarem todas as informações da sua plataforma para outros lugares (assim como isso funciona muito bem nos bancos).

E antes que eu me esqueça, ou que você esqueça: entregue relevância e conveniência!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Onde foi parar o conteúdo?

Uma das grandes promessas do mundo digital, desde o seus primórdios, era a geração de conteúdo. O acesso à rede e aos meios de publicação gratuitos (blogs, microblogs, grupos de discussão, foto e videoblogs e, mais adiante, as redes sociais) transformariam cada internauta num ser criativo e gerador de idéias.

De fato temos hoje um volume de informação que jamais imaginaríamos há uma década, o que não quer dizer que a criação de conteúdo tenha aumentado como se esperava.

Certamente aumentou a exposição dos conteúdos que já eram produzidos. O filme caseiro que só era impingido a amigos e avós, tornou-se hit mundial (alguns, é claro, a maioria continua tão chato como sempre foi).

A menina ou menino que escreviam diários e poemas vieram para a rede. As fotos que eram fixadas em álbuns ganharam seu espaço (e as fotos que antes eram descartadas pela sua baixa qualidade, também)

O que todo esse conteúdo não tinha no passado era o meio de acesso que tem agora.

Por outro lado cresceu infinitamente o processo de copy&paste. Não cheguei a fazer uma estatística mais apurada, mas percebo que mais de dois terços do que recebo nas atualizações das redes sociais são mensagens encaminhadas, retwits e links de conteúdos já postados em outros lugares.

Mesmo na blogosfera, em tese um espaço de geração de novos conteúdos é impressionante a quantidade de blogs que só reproduzem imagens e textos de outrem.

A promessa não se cumpriu, dirão os luditas mas, enquanto meio, a Internet permitiu que soubéssemos o que estava escrito nos cadernos de muita gente e, certamente, muita gente interessante. Descobrimos sons e imagens para as quais dependeríamos de dar várias voltas ao mundo para conhecer.

Nem tudo são flores, é claro. Ninguém ficou mais inteligente ou mais criativo por estar no cyberespaço. Alguns, por sinal, demonstram que estão atrofiando suas células cinzentas por não se permitirem momentos de desconexão digital para terem mais conexões sinápticas.

O futuro? Não sei. Desde que minha bola de cristal quebrou eu não me arrisco mais a fazer previsões. Nem do tempo.

Minha percepção é de que caminhamos para um novo modelo de concentração de conteúdos. Não mais nas mãos do poder econômico, mas daqueles que se permitem momentos de ócio criativo no mundo analógico. Eles que vão trazer novas idéias para o consumo, sem reflexão, das massas binárias.

Imagem : cena do filme Hollow Man (2000)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

No meu não

A Forrester*, empresa de pesquisa americana que se especializou em temas tecnológicos, divulgou, no final de 2010, os dados de uma enquete feita com empresas de pequeno e médio porte (na definição deles, empresas com até 200 funcionários) a respeito de prioridades de marketing online.

Algumas conclusões não foram muito diferentes da mesma pesquisa que eles fazem com as empresas de grande porte (mais de 1.000 funcionários). Queixas comuns como falta de recursos humanos e financeiros, falta de visão única de cliente e a economia em recessão.

Não que tenha sido uma surpresa mas, diferentemente das gigantes, os objetivos das pequenas e médias ainda estão focados quase que exclusivamente em novas vendas (31 anos de Porter ainda não convenceram as pessoas que um cliente vale mais que um não cliente). A preocupação é com novos clientes e geração de leads.

Claro que, para financiar seus esforços de marketing digital, outras mídias serão sacrificadas, as que vão perder menos são as mídias impresas e marketing direto (quem mais perde é a televisão e a mídia exterior tradicional).

O que não significa que teremos alguma estratégia inovadora, muito pelo contrário, pequenas e medias empresas são tímidas demais para aderir aos canais emergentes como video online e mobile. O que fazem, e pretendem continuar fazendo é enviar e-mails, investir em links patrocinados e ficar olhando para as ferramentas de analytics, rezando para que alguma coisa dê certo.

Ferramentas analíticas de datamining para melhorar a segmentação? Nem pensar. Automação dos processos de marketing? Isso é só para achar bonito na Amazon. Soluções de comunicação on-demand? Nem os grandes se arriscam.

O que vamos ter pela frente então? Mais do mesmo, como sempre. O mesmo mudou um pouco, mas o marketing continuará sendo a arte do “me-too”.

Afinal de contas, quem é que quer colocar a corda da responsabilidade da inovação no pescoço? Só esse loucos do Jobs, Walton, Presley e Zuckerberg.

Até porque, inovação, nos olhos dos outros, é refresco.

*Interactive Marketing Priorities for SMBs.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Postagem social


Mensagem
Tudo pelo social? Esse era o lema do governo do presidente José Sarney (1985-1990), mais que um presidente, um verdadeiro profeta da pós-pós-modernidade, aquela que vivemos hoje em dia.

Social é a palavra da moda.

Quer vender pipoca na praça? Batize de pipoca social. Assim como o marketing social, a responsabilidade social e, por quê não, a contabilidade social.

As grandes empresas de investimentos já lançaram o swap social, junto com os derivativos sociais.

Corte de custos virou reengenharia social e, até mesmo as demissões hoje são desligamentos sociais.

Não se assuste se, na próxima febre do seu filho o médico lhe disser que ele está com uma virose social.

O fenômeno das redes sociais, muito falado e pouco entendido, deflagrou a banalização do termo. Todo mundo quer entrar e explorar as redes.

O problema é que agem como se elas fossem apenas mais uma mídia para se levar uma mensagem top down. Trocaram a mídia, mas permanencem com os mesmos discursos.

Nem como marketeiros, nem como indivíduos ainda conseguimos dimensionar o poder da interação entre as pessoas, achamos que basta criar uma página e pedir para os consumidores seguirem, curtirem, viralizarem.

Na maioria dos casos, não passam de home pages hospedadas no Facebook, LinkedIn ou similares. Nem sempre com a mesma capacidade de capturar métricas como as páginas originais das empresas.

Claro, de tempos em tempos, alguém que realmente se dedica a participar da rede social e entender as pessoas que participam delas, consegue criar algo inovador. É o caso do meu amigo Sérgio Augusto com o seu recém lançado IWiin. Não sou profeta como o Sarney, mas é um negócio que me parece que será bem sucedido.

Quanto aos demais, enquanto não mudarem a sua mentalidade a respeito de relacionamento com consumidores, vão continuar sendo tão sociais quanto foi o governo do presidente

terça-feira, 14 de setembro de 2010

As palavras traem


A imagem que acompanha esse texto pode ser apenas uma montagem de algum engraçadinho (até porque não me lembro de ter visto links patrocinados no site da Folha), o que não significa que a situação não seja bastante corriqueira, ainda que nem sempre tão sanguinolenta.

Desde que o Google e todos os seus subprodutos passaram a usar palavras-chaves dos textos publicados como fator de seleção de seus anúncios e links patrocinados muitos outros portais adotaram a mesma estratégia. Afinal de contas, com a queda de receita em anúncios tradicionais é preciso ganhar dinheiro de alguma forma.

Não só os sites comerciais faturam em cima de links patrocinados, muitos blogueiros também aceitam que suas páginas exibam anúncios relacionados com os seus textos. O problema é que nenhum dos softwares que faz a escolha dos anúncios é capaz de entender o sentido do texto, trabalha apenas com palavras e não poucas vezes com pedaços de palavras.

Nesse exato momento abri um e-mail que falava sobre sociedades videocráticas (um artigo que trata sobre a onipresença das telas sobre a conformação do espaço público, não só em termos de construção do imaginário, mas também na vida econômica e política das sociedades contemporâneas) e os anúncios na barra lateral são sobre descontos em ingressos de cinemas e vendas de livros também de cinema. Uma ligação tênue e, pior, enquanto o autor questiona a excessiva dependência das pessoas em relação às telas, o link patrocinado incentiva o consumo de um tipo de tela.

Um amigo que tem um blog onde frequentemente trata de assuntos religiosos numa perspectiva reformada (e totalmente avesso aos santos católicos) mais de uma vez teve publicada a propaganda de venda de terços e rosários.

Não condeno o Google nem os portais por tentarem vender seu peixe, afinal de contas é disso que eles vivem. Questiono os amigos blogueiros amadores que tentam gerar receitas com suas páginas, uma vez que não tem controle nenhum sobre a publicidade colocada ao lado do que criam. Mas alguma coisa precisaria ser feita para evitar situações ridículas.

Ao menos os grandes portais deveriam ter um ser humano que acompanhasse o que é colocado nas suas páginas (o Blogger não teria a menor condição de acompanhar os milhões de posts publicados diariamente) enquanto os softwares estatísticos não tivessem a capacidade de entender o que os textos querem dizer.

Além de evitar gafes, certamente os anúncios poderiam ser bem mais eficientes se fossem realmente relevantes para quem está lendo os textos e, com isso, gerar mais dinheiro para todos os envolvidos no processo.

Em tempo: esse blog não aceita anúncios