Mostrando postagens com marcador relato pessoal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador relato pessoal. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de julho de 2019

O papai aqui sempre tem o que aprender




Eu cresci assistindo Papai Sabe Tudo (Father knows best, no original), série de TV que passava na TV Tupi na década de 60 (sim, do milênio passado!). Robert Young interpretava o pacato cidadão, pai de família, que tinha resposta para tudo (ou quase tudo, eventualmente pedia ajuda para a mamãe sabe um pouco também).

Porém, como escrevia o apóstolo Paulo: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; desde que me tornei homem, deixei de lado as coisas próprias de menino.” (1 Coríntios 13:11)

Hoje eu tenho medo de quem sabe tudo.

Gente que se acredita como detentora de todas as verdades do mundo, ou pelo menos dono de todas as verdades da sua área de atuação.

Gente que se acredita melhor que os demais seres humanos, até porque, são eles mesmos a encarnação do Übermensch de Nietzsche.

Já ouvi frases como “eu inventei a internet e não preciso que alguém me explique o que fazer”, ou “eu tenho a certificação suprema da Washoe University e isso me basta”. (o nome da universidade é fictício, mas o lugar existe).

Como estou muito aquém desse saber transcendente, tenho de aprender todos os dias e, mesmo sendo professor há anos, preciso cotidianamente estudar.

Não tenho vergonha de ler livros antigos que não li na época que fizeram sucesso.

Não tenho vergonha de assistir webinars e cursos online dados por moleques e molecas que tem metade da minha idade.

E, principalmente, não tenho vergonha de aprender com as pessoas que convivo no dia-a-dia, seja com a minha filha de 18 anos, seja com meu sócio, definitivamente um sábio.

Em suma, sou um ignorante sem vergonha que acredita que o mundo seria bem melhor se cada um reconhecesse suas limitações e colocasse em prática o aprender ensinando e o ensinar aprendendo.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Agora com vocês: fake ads




Segundo o código de defesa do consumidor, publicidade enganosa é aquela que mente sobre produtos ou serviços ou deixa de dar informações básicas ao consumidor, levando-o ao erro. Pode ser encontrada na televisão, no rádio, nos jornais, em revistas, na internet ou qualquer outra mídia.

Nas últimas duas semanas circulou um anúncio, especialmente em mídias sociais populares como Facebook ou Instagram, o anúncio de produtos tecnológicos para que pais pudessem acompanhar mais de perto a vida dos seus filhos.

Eram localizadores em calçados, câmeras de monitoramento e até mesmo um esdrúxulo travesseiro espião para monitorar se o filho tinha dormido ou não. Apelava para a questão de segurança dos seus filhos.

O anúncio informava que esses produtos estariam disponíveis em um stand temporário num shopping center de São Paulo

Como temos na família uma pessoa idosa que já se perdeu mais de uma vez nas ruas da cidade, fomos ver se algo poderia nos ajudar a minimizar esse problema.

Ao chegar no stand fomos informados que nenhum daqueles produtos existia (ou melhor, que apenas um existia, mas ele não estava à venda ali) e que o objetivo era de falar a respeito dos perigos da meningite e quanto a vacina era mais importante que espionar os filhos.

Vacina que obviamente era comercializada para indústria farmacêutica promotora dessa ação de marketing...

Primeiro problema: mais de uma vez a Anvisa já suspendeu ou proibiu propaganda de vacinas. O poder público é responsável pelas campanhas de vacinação.

Segundo: a empresa mentiu descaradamente ao anunciar produtos que não existem e/ou não comercializa

Terceiro: a empresa iludiu pessoas que se deslocaram até o local do stand (talvez algumas vindas de grandes distâncias) com uma falsa promessa.

Eu posso ser um marketeiro careta e, por mais que entenda que promover vacinação e saúde pública sejam coisas importantes, eu não posso fazer isso à custa de mentiras.

Os melhores fins não justificam os piores meios.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Ser vendedor - Espicaçador Honorário


Olá meu amigo, tudo bem?

Meu nome é Stavros Frangoulidis*. Antes de mais nada, sou um vendedor.

Sabe, muitas vezes a gente disfarça nossa função com nomes como "executive account", "VP de Expansão de Mercado", "Diretor Comercial", mas a realidade pura nua e crua é que nós vendemos os produtos e serviços que trazem o pão para a nossa mesa, inclusive a sua.

Pertencemos a uma tribo, muito pouco compreendida. Não que sejamos mais ou menos do que as outras profissões. Mas seguramente, um dia fazendo a nossa função iria te trazem um pouco mais próximo da realidade de trazer o pão de cada dia.

Olhe a sua volta, meu caro.

Esse escritório, computador, a internet funcionando e esse papel que você está lendo, são resultado de uma venda. Alguém vendeu essas coisas para sua empresa.

E você somente pode usufruir delas porque tem alguém vendendo as coisas da sua empresa.

Sabe seu extrato bancário? Sabe o dinheiro que tem lá? Sabe os boletos que estão na sua mesa e aquelas mensalidades sagradas? Bem meu caro, tudo isso será pago pontualmente se essa pessoa continuar vendendo.

Quando as vendas param, a música para e o baile termina.

Nem queira imaginar o que é uma vida onde os recursos deixam de entrar. Talvez você saiba, talvez não. E não será um simples texto de um desconhecido que fará você se aproximar de uma realidade onde não há dinheiro nem para um café.

Dinheiro, patrimônio, reservas, imóveis. Todos são voláteis. Todos podem te ser tomados do dia para a noite. Portanto não se fie nisso para viver e envelhecer com dignidade.

Agora uma coisa que ninguém nunca poderá te tomar é sua capacidade de trabalho, fé em si mesmo e principalmente na sua capacidade de gerar valor.

Você não precisa trabalhar com vendas, mas precisa gerar valor.

Ótimo. Quem vai oferecer isso ao mercado? Ou você acha que os clientes romperão sua porta clamando para comprar o que você produz?

Bem, te pergunto: Quem vai vender?

Hoje é a que trabalha em vendas na sua empresa. Amanhã, pode ser outra. Se não tiver ninguém, você passará por sérias necessidades e precisará pedir dinheiro para sua família. Não queremos essa opção.

Por ora, sua opção é essa pessoa.

Deixa eu te falar dela um pouco. Talvez um estranho falando te ajude a entender uma tribo muito específica com um credo muito peculiar.

Essa pessoa é uma pessoa que trabalha com vendas.

Ela lida com o imponderável o tempo todo: Ela lida com outras pessoas que nós chamamos de prospects e leads.

No nosso linguajar tem: prospects, leads, reuniões, propostas, negociação, taxa de conversão, custo de aquisição, e-mail de apresentação, calls, agendamento, apresentação e outras coisas menos nobres de se comentar aqui como "aquele #$$%ˆ$ do caraˆ*(*& me deixou 2 horas esperando na recepção ou cancelou ou me deixou no vácuo" e esse tipo de linguajar acadêmico que costumamos usar.

Prospects são potenciais clientes.

90 a 95% das pessoas que lidamos são prospects.

Prospects são desconfiados. Muitos deles não tem dinheiro para comprar. Esmagadora maioria não precisa comprar o que vendemos. Outros compram do seu concorrente.

Mesmo assim, nesse terreno árido, dia sim outro também a gente tenta converter esses prospects em leads (interessados) e depois em clientes, aqueles que pagam o seu salário, sim, o seu salário, o meu, do nosso colega. Clientes são aquela entidade que parece que vem por milagre e mantém as coisas de pé.

Não quero ser cínico com você, mas seguramente você não faz a menor ideia do que seja essa conversão.

De totalmente estranhos a clientes. Quem faz essa conversão somos nós os vendedores.

Lidamos com o "não" 70% do tempo. Lidamos com o "talvez" outros 25% do tempo. E lidamos com o sim (esse que faz o salário aparecer na conta corrente, sabe?) uns 5% do tempo, no máximo.

Portanto para chegar a conquistar um cliente, há MUITO trabalho.

Não me importa se você se formou em Harvard amigo e quantos diplomas tem sua parede e o cargo que está escrito no seu cartão. Alguém vai ter que vender os produtos e serviços da sua empresa. E quando você tiver que trocar de emprego meu caro, aí você vai ter que se vender e tomar uns nãos na cara para entender talvez o que seja uma venda.

Imagino que você esteja me odiando ao ler esse texto.

Mas eu tenho que fazer o trabalho sujo amigo, não tenho nada a perder, de te dar um pouco de realidade.

Nossa tribo é sensível.

Talvez não pareça, mas somos pessoas com sentimentos.

Adoramos um elogio, um reconhecimento. Queremos massagem nos pés quando chegamos em casa e queremos carinho.

Andamos no fio da navalha o tempo todo. Carregamos a responsabilidade de fazer o dinheiro aparecer na empresa. Se nós fracassamos, faltará comida à mesa. Simples assim.

Pode não parecer, porque somos espontâneos, atuamos com muita energia e otimismo, mas vivemos com o medo e a insegurança de não conseguir. Vivemos em uma pressão muito grande.

Sim, escolhemos isso.

Mas entenda que nossa paciência é mínima com pessoas como você. Mínima.

Não que você seja uma pessoa má. Mas é uma pessoa que não tem noção do que seja vender.

Então cá estou eu destilando um pouco da nossa realidade para você.

Se você acha que vender é uma profissãozinha qualquer e que qualquer um possa vender, imagine seu departamento comercial em greve. Você consegue repor seu comercial do dia para noite?

Então meu caro, dê carinho para o seu colega vendedor. Ele é um vendedor.

Ele é o oxigênio da sua empresa. Ele é que bomba dinheiro para a música continuar tocando.

Não encha o saco dele. Não mexa com ele. Cuide para que ele produza, facilite a vida dele.

Quando ele trouxer 2 coelhos magrinhos para dentro não reclame que não são dois zebus.

Aliás, não reclame.

Quando ele te pedir para flexibilizar condições, respeite o cara.

Ele é o seu mercado falando.

E o mercado é uma selva com sangue por todos os lados. Sangue.

Em suma. Torça para que nós vendedores continuemos apostando na empresa e em você.

Torça para que acordemos bem todos os dias. Sua felicidade depende disso.


*Stavros Frangoulidis
CEO e Fundador da PaP Solutions
Autor, Consultor e Palestrante
Especialista em Captação de Clientes Corporativos

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O briefing de Nabucodonosor

 
Conta a narrativa bíblica que um dia o rei Nabucodonosor, da Babilônia, acordou e mandou chamar todos os seus magos e encantadores.
Ele tivera um sonho e queria que os magos dissessem para ele qual tinha sido o sonho e qual era a sua interpretação. Perplexos com o pedido, os magos disseram que isso era impossível e lhe pediram que contasse o sonho para que fosse interpretado.
Nabucodonosor, que não era bobo, se recusou a contar o sonho. Sabia que se o contasse os magos inventariam qualquer interpretação. Insistiu na sua demanda, e mais, avisou que se ninguém resolvesse o problema mandava matar todos.
Pânico geral na corte. Até que um dos serviçais se lembrou de um judeu exilado que conhecera na cadeia. Um tal de Daniel. Segundo o serviçal, Daniel conversava diretamente com o seu Deus e fazia prodígios.
Nabuco mandou buscar o sujeito na cadeia. Daniel pediu um prazo para resolver a questão e, dias depois, voltou com a resposta. Contou o sonho (tinha sido aquilo mesmo) e deu a interpretação, que Nabucodonosor não viveu para ver cumprida, mas ficou satisfeito com a resposta e promoveu Daniel a seu braço direito.
Tirando a questão de virar o braço direito, não foram poucas as vezes que me deparei com essa mesma situação na minha atividade de consultor. O cliente sabe que tem um problema, mas não sabe explicar exatamente o que é. E quer que você lhe diga qual é o problema e, claro, a solução para ele.
A experiência mostra que muitos dos problemas empresariais e de marketing, são questões recorrentes de falta de processos, desconhecimento da carteira de cliente e, pasmem, a falta de indicadores de resultados que realmente avaliem os sucessos e fracassos do negócio.
Normalmente, um bom levantamento de informações dentro da empresa e uma série de perguntas estratégicas já servem para mapear onde é que o “bicho está pegando”. Algumas vezes as soluções são simples, em alguns casos, especialmente os que envolvem mudanças de processos e, principalmente, mudanças de cultura, a solução é óbvia, mas de implantação muito complexa.
Pior do que isso, só mesmo quando o gestor que te contratou concorda com tudo aquilo que você mapeou como problemático mas, ao invés de implantar a solução, quer que você resolva seus problemas sem tocar nas feridas existentes, ou que você melhore aquilo que não é o mais relevante para o negócio.
E nem sempre temos o prazo que Nabucodonosor concedeu a Daniel.
Hoje começa uma nova semana, sei que vou continuar encontrando Nabucodonosores pelo meu caminho. Alguns vão me ouvir e agir. Outros vão me ouvir e não fazer nada, ou fazer mais do mesmo.
O que me alivia é que esses reizinhos não tem mais o poder para mandar matar todos os seus consultores.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O país do futebol

No domingo tentei comprar um móvel. Nada muito complexo, uma cômoda com algumas gavetas. A loja era daquelas de pronta entrega mas, nesse caso, o móvel era feito sob encomenda.

Depois de quase implorar para ser atendido apareceu uma vendedora. Preço, prazo de pagamento e 75 dias para a entrega! Isso mesmo que você acabou de ler, dois meses e meio para fabricar uma mísera cômoda com quatro gavetas que nem puxadores tinham.

Motivo da demora: a fábrica fornecedora vai entrar em férias coletivas durante a copa do mundo de futebol e só retoma a fabricação depois de 13 de julho (se o Brasil não for campeão, é claro...)

Desisti na hora. Prefiro bater perna na Teodoro Sampaio* e descobrir uma cômoda que seja mais cômoda para o prazo que eu preciso, mas fiquei pensando a respeito.

Minha primeira conclusão foi de que o dono da fábrica deve estar nadando em dinheiro e se pode dar ao luxo de parar sua linha de montagem por um mês. Ou que utiliza trabalho escravo e não vai precisar pagar um mês de salário com retorno zero.

Se 1 a cada 3 pessoas que quiserem comprar seus móveis forem como eu e desistirem da aquisição, quando voltar das férias futebolísticas, ele vai ficar com capacidade ociosa pois vai ter 1/3 a menos de encomendas.

Pode ter certeza que quando isso acontecer ele vai dizer que a economia está uma droga, culpar o governo pela baixa confiança dos consumidores e fazer campanha por desoneração fiscal para manter os empregos que gera.

Essa é apenas uma das muitas situações que estão ocorrendo às vésperas do evento que diz que vai movimentar milhões de reais na economia. Outros tantos negócios estarão fechados não só nos dias de jogo do Brasil. Outros tantos trabalhadores estarão dando show de ineficiência acompanhando os resultados nos seus smartphones ao invés de atender os clientes.

E todos eles vão culpar alguém por não atingirem seus objetivos comerciais.

Que venha logo a copa, e que o mês passe rapidamente, senão os indicadores de falências e concordatas vão bater recordes nesse ano.
 
*Teodoro Sampaio é uma rua no bairro de Pinheiros, em São Paulo, que tem uma infinidade de lojas de móveis.
Aviso aos navegantes virtuais: eu estarei trabalhando todos os dias, inclusive quando o Brasil jogar, alguém precisa defender o leite das crianças.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O macróbio sou eu



Há não muito anos escrevi um artigo refutando as idéias de um colega e, dentro do meu humor habitual, usei o termo macróbio no meu texto. 

Digamos que ele não gostou e me processou de forma febril. O juiz considerou a acusação como sendo improcedente. Eu até hoje acredito que o que o incomodou não foi meu jeito jocoso mas o fato de eu ter refutado as suas teses.

O que eu sei é que, à medida que avançamos na vida, todos nós nos tornamos macróbios e, claro, não me refiro ao escritor e filósofo romano que que comentava os sonhos de Cipião, mas ao antigo povo da Etiópia que era notável pela longevidade dos seus indivíduos.

O tempo passou e, apesar de eu ainda não poder ser classificado como idoso pelo IBGE nem pela Organização Mundial de Saúde, já estou sendo tratado assim por alguns marketeiros das redes farmacêuticas.

Não sei se a análise de big data deles sugeriu que quem toma medicamento para colesterol já deve ser classificado como idoso mas, na semana passada fui convidado por uma fármacia a retirar um brinde que estava disponível para mim, na categoria de "aposentado".

Ao chegar, o rapaz que me atendeu olhou para mim com uma expressão surpresa e me perguntou se eu era aposentado. Respondi que, apesar dos meus cabelos brancos, ainda não tinha chegado à essa fase (se bem que, se o governo tivesse mantido as regras de aposentadoria de quando eu comecei a trabalhar eu já teria esse direito).

Processo é processo e, mesmo não me enquadrando no perfil dos seres brindáveis, meu nome estava lá e eu tinha direito ao presente.

O mais interessante é que os ítens do brinde pouco tinham a ver com a imagem que se faz da turma da terceira idade (um copo daqueles usados por atletas e uma necessaire onde não caberiam todos os ítens de um ser um pouco mais vetusto). O que me leva a crer que a marca que patrocinou o brinde talvez não o tenha direcionado para esse público, o que deve ter sido mais uma decisão original do marketing da rede.

Como eu não sou atleta e raramente uso um necessaire, cada um dos ítens foi repassado a meus filhos, bem menos macróbios que eu, diga-se de passagem.

Produto errado para a pessoa errada, utilizando um processo errado e que, no final das contas, foi parar nas mãos das pessoas erradas.

E depois ainda tem gente que diz que nós, os macróbios, estamos ultrapassados.

sábado, 20 de abril de 2013

# Eu desconcordo *

Animado com a excelente qualidade do Metrics Summit que assisti no final do ano passado fui passar o dia de hoje em mais um evento da Media Education, dessa vez sobre Social Media (#smsummit)

O impacto inicial foi dos melhores, o auditório da ESPM deve ser um pouco menor que o do shopping Frei Caneca (onde aconteceu o evento anterior) mas, pelo menos dessa vez, existia acesso livre à internet, o que permitiu acompanhar online, em tempo real, a reação do público que estava lá.

Através de uma observação genérica e aleatória identifiquei um perfil muito semelhante aos outros eventos digitais que já fui, ou seja, eu deveria ser o único sujeito com mais de 35 anos dentro do auditório (o Rogério Carpi não conta pois foi embora cedo)

Uma pena que a entrega do conteúdo não acompanhou a proposta e, nem de longe (nem de perto), teve a qualidade do Metrics.

O modelo de apresentações desestruturadas, mesas de debates sem ter alguém que fizesse uma apresentação formal do assunto, levou a uma coleção de achismos enorme. O termo que mais se ouvia era “na minha opinião...”

Pior, mesmo tendo temas pré-definidos, as mesas que assisti (resisti bravamente até metade da tarde – tenho certeza que depois vou ler que as melhores palestras foram as duas últimas que não assisti), sem exceção, fugiram do assunto. Tanto que o que o público mais gostou foi da apresentação solo do advogado: estruturada, focada no tema e, apesar dos detratores, com um PPT dando o roteiro da fala.

Apesar disso, se salvou a segunda mesa da tarde, mesmo fugindo do assunto, os participantes tinham mais conteúdo para entregar.

De social media mesmo, pouco se falou, a menos que você acredite que social media se resuma aos likes e shares do Facebook. O curioso é que todo mundo se apoiava no FB, mas todos os comentários do público aconteciam via Twitter.

Eu me queixei bastante das obviedades que ouvi mas, talvez, como bem me lembrou o Rogério, deve ser porque eu sou macaco velho do marketing e já tenha passado pelas mesmas discussões no mundo analógico (criação x planejamento... repercussão x resultado... )

Mas não desculpo as abobrinhas como ouvir que métrica acaba com a poesia da publicidade. A poesia de boa qualidade se encaixa nas mais rigorosas métricas (alexandrinos, redondilhas maiores e menores, sem contar as métricas que consideravam além das sílabas, as sua tônicas).

Quem quer fazer publicidade sem prestar conta de resultado que procure clientes que joguem dinheiro no lixo.

Além disso achei muito indelicado por parte da organização recomendar que as pessoas fizessem perguntas inteligentes (somos todos burros?). Se quiserem ter controle das perguntas que obriguem que as mesmas sejam feitas por escrito e filtradas pelo moderador, simples assim (e ainda mais simples em tempos de vida digital).

Ainda não decidi se vou ao Content Summit em Junho, depois vou olhar o programa, se tiver a mesma estrutura do Metrics eu até me animo, se for nesse formato do Media, eu passo.

*neologismo criado durante o evento que, de longe, gerou mais engajamento que seu concorrente “draivar”

** a imagem é de um tratado de métrica em poesia



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Um dia de spam

Como qualquer ser humano que tem um endereço de e-mail eu reclamo da quantidade de spam que recebo todos os dias.

Com a impressão de que esse número está crescendo todos os dias eu resolvi fazer um teste pessoal.

À meia noite de um sábado para domingo limpei todas as caixas de spam e de entrada dos meus três endereços de e-mail e 24 horas depois fui checar o que tinha acontecido.

Meu e-mail pessoal tinha 115 mensagens indesejadas e não autorizadas. O e-mail de trabalho mais 101. Meu endereço alternativo, talvez pelo fato de não ser divulgado, apenas 16.

232 mensagens inúteis. Cerca de 10 mensagens por hora, uma a cada 6 minutos.

E talvez ainda seja pouco considerando que domingo não é dos dias mais pesados nos envios de e-mails, mas projeta que no decorrer do próximo ano eu vou receber cerca de 85 mil mensagens de spam.

Haja caixa de entrada!

Claro que como qualquer outro ser humano eu busco formas de me proteger desse ataque massivo. Coloco mais ferramentas de anti-spam, bloqueio domínios e crio regras para direcionar determinados remetentes diretamente para a lixeira.

Por outro lado, como marketeiro, lamento que o uso da mídia sem nenhuma segmentação, nenhuma relevância e nenhum respeito aos consumidores, vai levá-la à morte (já ouço, não tão longe, seus estertores)

Afinal de contas, para que segmentar e se preocupar com relevância se mandar e-mail é tão barato? Não era isso que propunha Mr Rapp há 3 anos?

Hoje as novas gerações não usam e-mails para conversar. Quando muito têm uma conta que lhes permita se cadastrar nos sites e aplicativos que lhes convém e onde trocam informações entre si sobre aquilo que lhes interessa.

Pelo menos até que a mídia que usem seja invadida por anúncios massivos e generalistas.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A arte de rasgar dinheiro

O Brasil tem um pouco mais de 2.200 salas de cinema em bem menos que a metade do municípios brasileiros. Em tese, tirando os bebês de colo, todo mundo é público alvo do cinema, o que o torna uma mídia atraente para produtos e marcas dirigidos ao mercado como um todo.

O Brasil tem, segundo a Associação Brasileira de Locadoras de Veículos, 2.008 locadoras. Os nomes, endereços dessas empresas pode ser facilmente localizado por fornecedores de mailing que usem o CNAE como chave (no caso, é o CNAE 7711) ou, por que não simplificar, através da própria associação?

Fazendo uma conta de padeiro, vou supor que cada uma dessas empresas tenha 3 pessoas de contato, caso eu queira vender um software de gestão para locadoras de veículos. O dono (ou principal executivo), o diretor financeiro (se a empresa for pequena é o próprio dono) e o diretor de TI (se for pequena, o sobrinho micreiro do dono).

Descontando as gigantes (Localiza, Avis, Hertz, etc) que certamente tem seus próprios sistemas de gestão, digamos que sobrem 2.000 possíveis clientes. Preciso entrar em contato com 6000 pessoas.

Usando um planinho simples, posso mandar uma mala direta, fazer o follow up de agendamento por telefone e fazer um reforço com o disparo de 2 ou 3 e-mails. Se eu gastar R$15 por contato (ou R$45 por empresa), vou ter um custo total de R$90.000. Se eu conseguir 1% de conversão em vendas, meu custo por venda foi de R$4.500. Simples, não é mesmo?

Mas eu acho que o bonito mesmo é produzir um filme (baratinho e fraco, mas um filme) e veicular nos cinemas (não tenho verba para TV). Afinal posso levar a minha namorada ou os meus filhos e dizer que fui eu que fiz aquilo.

Como eu negocio bem, consigo chegar a um preço de veiculação de R$2.500 por sala, por cine-semana. Como eu não tenho muito dinheiro, vou ficar só em 10 salas, durante duas semanas. Custo total de veiculação e produção R$60.000.

Nem me arrisco a calcular a probabilidade de um daqueles 6.000 contatos ir exatamente ao cinema onde estou veiculando durante aquelas duas semanas, senão o Carpi me puxa a orelha, mas pensemos em qual seria a esperança de achar alguém.

Vou anunciar em 0,5% das salas, se a distribuição for similar, vou atingir 30 dos meus possíveis contatos. Na verdade, vou atingir 15, pois a média de frequência em cinemas é de 1 vez por mês eu só veiculei em meio mês. Vou ser bonzinho e supor que esses 15 sejam de empresas diferentes.

Vamos imaginar que o efeito daquele anúncio no cinema foi devastador e eu consegui uma conversão em vendas 15 vezes maior que minha campanha de marketing direto, ou seja, tive 15% de retorno em vendas. Dois novos clientes. Meu custo por venda foi R$30.000.

Por que diabos eu pagaria 30 mil para conquistar um cliente se posso fazê-lo por menos de 5 mil? Essa foi a pergunta que me fiz ao sair do cinema na semana passada.

O anúncio do Itaú me pareceu muito razoável naquele espaço, todo mundo pode ser cliente do Itaú e o custo por mil da mídia deve valer a pena. Agora, por que um fornecedor de um produto tão específico, dirigido a um mercado tão pequeno e bem definido faz isso??

Se você tem essa mesma compulsão em defenestrar numerário me avise que eu vou buscar uma parte para mim.

domingo, 28 de agosto de 2011

Inseguro

Seguro é um produto, no mínimo, curioso. Muita gente compra, mas ninguém quer usar e, de fato, pouquíssima gente usa, o que garante a altíssima rentabilidade das seguradoras.

É um produto difícil de vender e mais difícil de ser renovado, por isso que as empresas passaram a agregar uma coleção de serviços adicionais, para tentar deixar seus produtos mais atraentes.


Seguro fácil de vender (tirando os obrigatórios) é só seguro de carro, especialmente nos grandes centros urbanos afligidos pela alta criminalidade.


O que não significa que seja fácil de comprar.


No começo do mês venceu o seguro do meu carro. Apesar de ser cliente da mesma seguradora há anos, sempre pesquiso o mercado antes de fechar o negócio.


Pedi cotações para o corretor que me atende, para o meu banco e num site de uma seguradora. O corretor e o banco tinham a informação sobre a data do vencimento do seguro. O site que acessei não pedia essa informação (não me pergunte por que...)


O banco, como é da natureza das estruturas paquidérmicas, me mandou um e-mail pedindo cópias de um monte de documentos. La bureaucratie oblige.


O site coletou meus dados para que um corretor me ligasse em seguida. Meu telefone já está com teias de aranha esperando a ligação.


O corretor, que tem uma empresa caseira minúscula me mandou, em menos de uma hora, uma proposta coms os preços e condições de 8 seguradoras. Liguei para tirar uma dúvida sobre os valores e fechei o negócio.


A diferença entre os três fornecedores é simples. O escritório caseiro tem processos que funcionam. O banco e a seguradora não.


Alguém pode alegar que, para o banco, esse não é um produto prioritário, o que não é verdade, pois os gerentes de conta vivem tentando empurrar seguros. Sobre a seguradora não existem desculpas possíveis.


Muito dinheiro gasto em tecnologia. Muito dinheiro gasto em comunicação. Incapacidade de vender para um cliente que está pronto para comprar.


Por falar em cliente, eu mudei de seguradora e a antiga, de quem eu era cliente há mais de 10 anos, não percebeu. Estão tão preocupados em conquistar novos clientes (a custos altíssimos) que não tem tempo para manter os que já tem.


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sabe quanto vales?

OK, você venceu...batatas fritas. Todo mundo sabe que um cliente vale mais que um prospect. Quase ninguém trata o cliente melhor que o prospect.

Essa é a lógica dos negócios, fazer exatamente o contrário do que preconizam as boas práticas e esperar que um milagre aconteça.

Por isso não me surpreendi quando, andando pelos corr
edores de um shopping, vi um cartaz da TIM oferecendo o plano de internet que eu uso a uma preço mais baixo que o que eu pago.

Como iria viajar naquela semana resolvi que, na minha volta, ligaria para cancelar o meu plano e depois compraria um novo. Eu passaria a economizar R$10 por mês e ainda daria de presente para a TIM os custos de atendimento do cancelamento e os custos de uma nova venda.

Sim, sim, eu sei, já me disseram que eu sou um ogro.

Viajei. Voltei. Peguei a correspondência e quase tive
uma síncope. Uma mala direta da TIM me informava que meu plano já tinha sido atualizado automaticamente e que, a partir daquele mês, eu já pagaria o valor reduzido.
Concluí que ou eles criaram uma central de atendimento telepática ou, finalmente, contrataram alguém saiba fazer contas.

Para a TIM um cliente já vale, pelo menos, tanto quanto um prospect. Ainda não é o melhor dos mundos, mas já é um gigantesco passo adiante.

terça-feira, 29 de março de 2011

Taxa de estupidez


Existem poucas coisas mais fascinantes do que a estupidez humana. Não me refiro ao sentido agressivo do termo (se bem que não sei se existe um sentido não agressivo para esse termo), mas às atitudes sem nexo e completamente desprovidas de qualquer lógica e raciocínio.


Entro numa loja e peço uma caixa de um produto. A vendedora me informa que não vende o produto em caixas.


Peço então que me dê 12 unidades (a quantidade que vem na caixa) e ela me diz que só pode me vender 6 (não, não se tratava de um produto em promoção com quantidade limitada por cliente). A alegação é a de que o estoque do produto era pequeno, se me vendesse os 12 ficaria quase sem nenhum.


Nesse momento me veio à mente o imenso número de varejistas que sofrem com os custos de excesso de estoque e imaginei que o dono dessa loja devia estar nadando em dinheiro.
Além de se dar ao luxo de não girar o estoque (e realizar lucro), ainda preferem o custo de atender 10 clientes que comprem, cada um, 1 unidade do produto.


Alguém pode alegar que se vendessem tudo (ou quase tudo) para mim, a loja não teria o produto para outros clientes. Waaaaaal! (como diria o Francis), se o produto tem tanta demanda, que trabalhem com estoques maiores.


Fiquei tentado a comprar os 6, sair para tomar um café, voltar e comprar mais 6 mas minha taxa de absorção de burrice já estava em níveis elevados. Caminhei 50 metros, entrei num concorrente e comprei o que eu queria (uma caixa fechada).


E tem gente que se surpreende com o fato de tantos lojistas fecharem suas portas antes de completar 1 ano de vida.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Marketing inútil

Algumas pessoas costumam mudar de aparência de vez em quando. Normalmente as mulheres mais que os homens mas esses, tirando as mudanças forçadas pela calvície, também repaginam o lay out quando se cansam do que vêem no espelho.

Foi o meu caso quando resolvi deixar crescer a barba (na verdade cresceu por um acidente que me impediu de fazê-la por algumas semanas, como gostei, deixei). A minha barba está longe de ser comparada à do companheiro Fidel, mas dá para perceber que não é apenas falta de barbear por uns dias. O que provocou uma saia justa no Boticário.

Comprei uns sabonetes e shampoos e, quando me entregou o pacote a mocinha me disse que tinha incluído meu brinde na sacola.

Não sabia que ia ganhar algum brinde e me surpreendi que ela me entregasse sem fazer muito alarde (normalmente os vendedores adoram se mostrar quando mimam os clientes). Peguei minha sacola e saí.

No corredor do shopping abri a sacola. E comecei a rir, para a surpresa de alguns transeuntes. Estava explicado o constrangimento da vendedora. Era uma espuma de barbear...

Não voltei à loja para ensinar um pouco de marketing para o pessoal. Mas recomendo que a agência que os atenda o faça.

Ou pelo menos crie opções de brindes para o segmento dos barbudos.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Quero ser chumbo

Não sei se por alguma comparação olímpica muitas empresas gostam de segmentar seus clientes em ouro, prata e bronze. Como alguns clientes ouro valem mais, viraram platina, os melhores platina, diamante (não me pergunte o que pode existir acima disso mas estou certo que ainda vão inventar).

Eu tenho comportamentos de compra diferentes de acordo com cada empresa. Em algumas sou ouro, em muitas devo ser terra batida.

Eu sou cliente do Citibank há quase 15 anos, abri a conta como funcionário, depois virei correntista comum até que, num determinado momento, eles me promoveram a Gold (por conta deles, é claro). Em tese, uma classe de clientes especiais, com direito a gerente de contas e outras frescuras como um talão de cheques dourado.

Eu nunca dei muita bola para essa classificação, nem nunca percebi nenhum privilégio relevante pelo fato deles me considerarem uma classe especial de clientes (diferente do meu cartão de crédito que, pelo menos, tem um 0800 diferente para aqueles que eles consideram clientes especiais). As únicas abordagens que me fazia o gerente de contas era para tentar me vender título de capitalização. No dia em que disse que nunca iria comprar isso, nunca mais me ligaram.

De qualquer forma, era um banco que não me dava dor de cabeça e, portanto, nunca pensei em trocar. Até hoje.

Como mudei de casa eu precisava mudar meu endereço no banco. Peguei um comprovante de residência do novo endereço e fui até a minha agência. Uma mocinha me atendeu educadamente, me perguntou o número da conta e um documento (para saber se eu era eu mesmo) e... descobriu que ela não tinha acesso aos clientes gold.

Nem ela, nem os gerente de conta da agência, nem a gerente geral da agência. Só os gerentes gold podem acessar essas contas e, pasmem, nenhum deles fica nas agências. Ela ligou para a minha gerente (que eu nem sabia quem era, pois muda a cada 3 meses) e me colocou na linha.

A gerente de conta então me explicou que ela precisava me conhecer para fazer a alteração. Ou seja, como cliente gold eu não poderia fazer uma alteração de cadastro dentro da agência do banco. Eu não quero conhecer ninguém, só quero que meus extratos sigam para a minha casa. Ela argumentou que existem normas de segurança para clientes gold (para os demais clientes a segurança é desnecessária?), sempre a culpa é dos processos...

Segunda feira vou ver se acho um banco que me aceite como cliente comum, daqueles que você pega fila, mas resolve os problemas quando vai à agência.

A gerente gold, vou convidá-la para um café aqui em casa, desde que traga o formulário para encerramento da conta.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Como 2 e 2 são 5

Eu preciso voltar para os meus tempos de primário e reaprender aritmética.

Lembro que fui uma das primeiras cobaias do ensino da, então chamada, matemática moderna.

Mas no mundo da pós-modernidade devo estar sendo inundado pela matemática da modernidade líquida...

Fui tomar um café no McCafé e tinha duas cartelas de bônus, portanto direito a dois cafés expressos. Entreguei as cartelas e pedi um café duplo.

Descobri que dois cafés não equivalem a um café duplo. Pior, descobri que um café duplo custa mais caro que pedir dois cafés.

Refiz minhas contas, pela minha lógica 2x = x+x, descobri que a equação correta é 2x > x+x. ´

Algum matemático me explica? Alguém de custos me explica? Alguém de marketing me explica?

Nada muito diferente de uma promoção de um restaurante que me contaram.

A promoção é a seguinte : um sorvete custa X, um café custa Y, se comprados juntos o valor total é menor que X+Y

Até aí, nada diferente de qualquer promoção de venda casada.

O original é que ao pedir o servete e um café o garçom pergunta se você quer a promoção ou não...

Se você for um perdulário masoquista pode dizer que não e pagar mais caro, a escolha é sua.

Me explicaram que o problema está na conjunção. Um sorvete COM café é mais barato que um sorvete E um café...

Concluí então que era uma estratégia de marketing conjuntiva. Acerte a conjunção e ganhe seu desconto.

Como eu não estava com conjuntivite, nem tinha bebido tequilla, optei pelo preço mais barato.

Amanhã de manhã vou pegar os cadernos e livros da minha filha e começar a estudar a novíssima matemática.

E vou recomendar meus clientes a adotá-la imediatamente.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Desdigitalizando a vida

Fiquei encantado com o site. Informação rica, navegação simples e clara. Até o fale conosco estava num lugar de fácil acesso.

Poderia me informar sobre produtos, sobre especificações técnicas, sobre serviços.

O que me interessava, naquele momento, era assistência técnica.

A arquitetura perfeita fez com que minha solicitação fluísse sem nenhum percalço.

Não me pediram mais informação do que a necessária para atender minha demanda e me ofereceram alternativas plausíveis de atendimento.

Em pouco mais de 3 minutos estava dando meu último clique. Que deu erro no carregamento da página.

E agora? Como saber se o agendamento tinha sido feito ou não?

O site me oferecia um chat de atendimento. Fui experimentar. Também funcionava bem. Uma nova janela se abriu, e um contador ia me informando o tempo de espera para ser atendido (tempo bastante tolerável, diga-se de passagem)

O atendente online me saudou de forma educada e respeitosa. Informei o meu problema. E quase caí de costas.

A resposta que recebi é que para confirmar se o agendamento tinha sido feito ou não, eu precisava ligar para o telemarketing pois ele não tinha acesso à informação.

Como assim cara pálida?? Por telefone ou por chat vocês não são a mesma central de atendimento? Não acessam o mesmo banco de dados? Não falam em nome da mesma empresa?

Descobri que não. Ele poderia me dar informações, mas não tinha nenhuma chance de resolver meu problema.

Não sei quem é o gestor genial que criou esse processo. Só sei que, da próxima vez, vou dar mais custos para a empresa e ligar direto para a central telefônica.

Importante: não me perguntem que site que é, eu sou chato, mas não sou dedo duro.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vendedor de idéias

Não sei exatamente a gênese desse vício de mercado mas, de tempos em tempos, me defronto com prospects que querem que eu trabalhe de graça.

Eu sou um profissional de planejamento. Sem modéstia nenhuma, um bom profissional. Já trabalhei para gente grande e pequena. Produzi idéias melhores e piores mas, se fizer um balanço, percebo que meus clientes sempre tiveram bons resultados a partir delas.

Meu negócio é justamente esse. Observar empresas, seus negócios, seus clientes e seus mercados e pensar em formas de melhorar seus desempenho. Sou um vendedor de idéias.

Aliás, não tenho nenhum outro produto para vender além delas. Mesmo quando eu entrego conhecimento tenho consciência de que ele poderia ser obtido de diversas outras formas.

As idéias não, são meu produto exclusivo. O meu diferencial competitivo.

Aí, quando faço uma proposta de trabalho alguns potenciais clientes olham (sempre a última página que tem o preço) e me perguntam se eu não coloquei nenhum exemplo do que eu pretendo fazer.

Como eu sou um cara educado, eu costumo responder que eu ainda não sei o que pretendo fazer pois ainda não analisei o negócio com a profundidade necessária para isso (não, não é verdade, nunca faço uma proposta antes de esmiuçar o mercado onde o cliente está inserido).

Clientes inteligentes entendem rapidamente onde eu quero chegar : eu vou te entregar idéias, mas você vai ter de pagar por isso, é disso que eu vivo.

Outros, não menos inteligentes mas nem sempre bem intencionados me dizem que, para a aprovar a proposta, eles precisam que ela seja mais detalhada, se possível com a descrição das ações que eles devem fazer. Nesse momento eu concluo que eles acham que quem não é muito inteligente sou eu.

Como não foram poucas as vezes que vi idéias colocadas em propostas serem usadas sem nenhuma vergonha de terem sido surrupiadas, eu não deixo cair nessa armadilha.

Sei que minha resposta nem sempre é bem vista. De qualquer forma, se não vou ser remunerado, prefiro gastar meus neurônios em outras coisas.

E não me aborreço depois vendo minhas idéias circulando na praça.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Simples assim

Nós estamos tão acostumados a sermos mal tratados pelos nossos prestadores de serviço que quando eles fazem algo que não seria nada além da sua obrigação, temos a impressão de que realizaram um serviço estupendo.

Ontem no final da tarde a NET me mandou um torpedo avisando que o serviço do Virtua estaria fora do ar da 1 às 3 da manhã. Já de noite, recebi uma ligação gravada da mesma NET com a mesma informação. No meu caso que costumo publicar meus blogs de madrugada foi uma informação importantíssima. Pode até ser que eu não ligasse para a central de atendimento no meio da noite, mas iria xingar bastante.

Eu não costumo ter problemas sérios com a NET, mas conheço gente que briga com eles, pelo menos, uma vez por semana. Com a certeza que trocar de serviço para a concorrência não ajuda em nada e pode ficar ainda pior. De qualquer forma, fiquei surpreso com o que me pareceu uma deferência inusitada.

Se pararmos para pensar friamente, eles não fizeram mais que o óbvio. Nada mais que a obrigação. Mas qual dos prestadores desse tipo de serviço que avisa que vai interromper temporariamente o serviço. Qual deles que dá uma informação honesta quando o serviço é interrompido por acidente ?

O exemplo recente da adutora da Sabesp* que deixou algumas centenas de milhares de pessoas sem água por vários dias é eloquente. A informação era de que o serviço voltaria em 24 horas. Os moradores da região que digam quanto duram as 24h da Sabesp.

Mas, voltando à NET, fiquei imaginando qual foi o custo de avisar os clientes. Não deve ter chegado a 1 real. Considerando o valor que eles recebem dos clientes e a margem que tem nesse tipo de serviço, uma verdadeira bagatela para gerar encantamento. Considerando a economia que eles fizeram de ligações para a central de atendimento, é bem provável que tenham saído no lucro.

Muitas empresas acham que ações que não revertem em vendas são inúteis e que nunca se pagam.

Claro que são empresas que não sabem fazer contas. Não sabem qual é o custo de aquisição de cada cliente (para compensar os que se mandam por serem mal atendidos), não tem a menor idéia de quanto vale a manutenção dos clientes por mais 6 meses ou 1 ano. São as que vivem gastando muito dinheiro em aquisição e, quando não tem mais para quem vender, passam a ver sua carteira minguar.

A ação da NET não vai mudar radicalmente meu conceito sobre suas práticas pavorosas (como tentar me vender produtos que eu já tenho), mas certamente evita que eu seja seduzido pelos concorrentes.

* A Sabesp tem o agravante de ser um serviço monopolizado que parte do princípio que o cliente que se dane.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Chefes que eu não esqueço

Eu tive muitos chefes na minha vida. Nunca deixei de aprender alguma coisa com todos eles, nem que fosse aprender como não fazer determinadas coisas. Gostei de vários, desgostei de alguns, outros ficaram no espaço neutro. Claro que, mesmo dos que eu gostei, de alguns eu gostei mais do que de outros. Quatro deles, particularmente, continuam sempre reaparecendo nas minhas práticas no mundo dos negócios. Cito-os na ordem cronológica em que surgiram na minha vida profissional.

O primeiro dos notáveis só fui conhecer no final da década de 80 (ou seja, quase 10 anos depois do início da minha carreira). Era um escocês chamado Duncan Campbell, diretor de operações internacionais da Brasinco/UPS, uma empresa courier. Mr Duncan, como todos costumavam chamá-lo, era um ser imenso barbudo e falava o tempo todo com um cachimbo na boca e com seu sotaque escocês. Com ele aprendi o método da educada indiferença, uma forma cortês de ouvir besteiras sem piscar os olhos. E deixar sair por uma orelha o que entrou pela outra. Também foi com ele que aprendi que o tempo é o produto mais perecível que existe no mercado mas, por mais que tentemos, nós não conseguimos transformar uma hora em um minuto, portanto não adianta ficar nervorso tentando.

Da Brasinco fui trabalhar no Consórcio Nacional Sharp, já como profissional de marketing direto. Quando cheguei lá a área de marketing estava sendo dirigida interinamente pelo diretor de qualidade, Guilherme Vanin. O Vanin era um sujeito bonachão e não se deixava abalar nem com o constante mau humor do seu chefe. Também era um cara muito realista. Dele aprendi que não adianta tentar ensinar um porco a dançar, você vai perder seu tempo e aborrecer o porco. Ainda tive outro chefe no consórcio, mas sempre que podia ia ouvir as palavras sábias do Vanin.

Quando saí da Brasinco fui trabalhar na criação da Net Brasil (hoje Globocabo) e o meu primeiro chefe foi o Alberto Pecegueiro. Acima dele estava o Antonio Athayde, outro sujeito notável que eu não incluo aqui porque nunca foi meu superior imediato, de quem guardo recordações profissionais e afetivas muito marcantes.

O Pecegueiro tinha um humor mordaz e uma capacidade brutal de executar todas as suas missões e ainda bater recordes de jogo de paciência, aliás, ele costumava dizer que quando batia recordes de paciência era porque estava na hora de mudar de emprego. Foi com ele que eu experimentei, pela primeira vez, o que realmente era delegação de poderes. Durante vários meses ele passou mais tempo em Nova York do que em São Paulo, atribuía as tarefas a seus comandados, dava-lhes autoridade para tomar decisões e também a responsabilidade de responder por elas, mas nunca tirou o corpo fora quando algum de nós fez alguma besteira, tinha plena consciência de que, em última análise, o que fazíamos era da sua alçada.

Quando o Pecegueiro saiu da NET e foi comandar a Globosat, aonde está até hoje (pelo jeito não bateu mais recordes de paciência), foi substituído pelo Adalberto Viana. O Adalberto parecia ser um sujeito tosco que lidava com as pessoas na base do deixa que eu chuto. Não era. Quando precisava bater ele o fazia de forma firme e direto no fígado, mas de tosco ele não tinha nada, muito pelo contrário, era um sujeito brilhante, de gosto refinado e excelente cozinheiro (na cozinha da sua casa foi que aprendi algumas coisas que uso até hoje na minha). Com ele eu aprendi a negociar, a saber os limites de até onde jogar duro e quais são os momentos de ceder. E nenhum chefe tinha a paciência para ensinar que ele possuía.

Depois que o Adalberto saiu da NET eu acabei também saindo por motivos diversos que nada tinham a ver com a ida dele para a Sky, e nunca mais tive um chefe como foram esses quatro (se você foi um deles, me perdoe, mas seria uma hipocrisia dizer outra coisa).

Se eu consegui fazer com as pessoas que trabalharam sob o meu comando tudo o que eu aprendi com eles, eu não sei, sei que me esforcei para seguir esses exemplos. Quem sabe, um dia, alguém que me teve como chefe, possa escrever algo semelhante.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Prato do dia

Não é de hoje que os bancos segmentam e classificam seus clientes. O que é óbvio uma vez que ninguém melhor que eles (os bancos) sabem quem lhes dá mais lucro, quem não vale a pena manter como cliente e quais eles não podem perder de jeito nenhum.

Os bancos também sabem que não basta segmentar os clientes, é preciso segmentar os serviços que são oferecidos a cada um dos grupos de correntistas e investidores. Em tese, quanto mais lucrativo o cliente, melhor o tratamento que ele recebe. Telefones exclusivos de atendimento, gerentes de contas e caixas diferenciados com pessoal melhor treinado.

No entanto, nem sempre isso funciona bem assim.

Minha prima é cliente daquele banco que não parecia banco e agora eu não sei se foi feito para ela. Ela está classificada entre aqueles de classe única, com caixas preferenciais para garantir a privacidade do cliente. Se o caixa preferencial garante a privacidade do cliente eu não posso garantir, mas ela descobriu que a privacidade do atendente é nenhuma.

Há pouco mais de um mês ela foi à agência do shopping que utiliza sempre e, enquanto a atendente processava suas contas, a profissional dita especial não saiu do telefone falando com o restaurante que lhe fornecia o almoço. O que ela ouviu foram todas as opções de cardápio e todas as dúvidas da atendente do banco a respeito do strogonoff.

Alguém pode alegar que a pobre moça estava com fome e ainda não tinha tido a chance de almoçar. O detalhe é que isso aconteceu às 10h da manhã.

Na semana passada, minha prima foi de novo à mesma agência. Não lembra se era exatamente a mesma caixa (pelo padrão deveria ser). A moça pegou as contas que estavam sendo pagas e ato contínuo passou a mão no telefone e começou a conversar com uma colega de trabalho a respeito do que elas iriam pedir de almoço. Devia ser sexta-feira pois o cardápio em questão dessa vez era peixe. Mais uma vez ficou-se sabendo de todas as preferências alimentares da mulher do caixa.

De novo, não passava muito das 10h.

Não sei exatamente que tipo de treinamento que esse pessoal recebe. Acredito que devam ser orientados a não conversar com os clientes (será para garantir a privacidade dos mesmos?) e, de preferência, não dar espaço para que os clientes também puxem papo sobre qualquer assunto, inclusive se for a respeito da sua conta.

De qualquer forma, minha prima já decidiu, na sua próxima visita à agência antes que a atendente do caixa pegue as contas para pagar, ela vai recomendar o prato do dia. Pelo que eu a conheço acho que a moça vai tomar sopa.