quarta-feira, 24 de março de 2010

Vendedor de idéias

Não sei exatamente a gênese desse vício de mercado mas, de tempos em tempos, me defronto com prospects que querem que eu trabalhe de graça.

Eu sou um profissional de planejamento. Sem modéstia nenhuma, um bom profissional. Já trabalhei para gente grande e pequena. Produzi idéias melhores e piores mas, se fizer um balanço, percebo que meus clientes sempre tiveram bons resultados a partir delas.

Meu negócio é justamente esse. Observar empresas, seus negócios, seus clientes e seus mercados e pensar em formas de melhorar seus desempenho. Sou um vendedor de idéias.

Aliás, não tenho nenhum outro produto para vender além delas. Mesmo quando eu entrego conhecimento tenho consciência de que ele poderia ser obtido de diversas outras formas.

As idéias não, são meu produto exclusivo. O meu diferencial competitivo.

Aí, quando faço uma proposta de trabalho alguns potenciais clientes olham (sempre a última página que tem o preço) e me perguntam se eu não coloquei nenhum exemplo do que eu pretendo fazer.

Como eu sou um cara educado, eu costumo responder que eu ainda não sei o que pretendo fazer pois ainda não analisei o negócio com a profundidade necessária para isso (não, não é verdade, nunca faço uma proposta antes de esmiuçar o mercado onde o cliente está inserido).

Clientes inteligentes entendem rapidamente onde eu quero chegar : eu vou te entregar idéias, mas você vai ter de pagar por isso, é disso que eu vivo.

Outros, não menos inteligentes mas nem sempre bem intencionados me dizem que, para a aprovar a proposta, eles precisam que ela seja mais detalhada, se possível com a descrição das ações que eles devem fazer. Nesse momento eu concluo que eles acham que quem não é muito inteligente sou eu.

Como não foram poucas as vezes que vi idéias colocadas em propostas serem usadas sem nenhuma vergonha de terem sido surrupiadas, eu não deixo cair nessa armadilha.

Sei que minha resposta nem sempre é bem vista. De qualquer forma, se não vou ser remunerado, prefiro gastar meus neurônios em outras coisas.

E não me aborreço depois vendo minhas idéias circulando na praça.

5 comentários:

Pio Borges disse...

Entendi hoje mais profundamente seu comentário no Almanaque do Pio...

Roberta Avillez disse...

tá mais do que certo!

Roberto de Avillez disse...

Não é só na sua área. Algumas pessoas pensam que somente elas pode cobrar pelas idéias e serviços.

Veronique disse...

Fábio, vc me lembrou a anedota sobre a empregada doméstica que estava sendo entrevistada, quando a patroa fez a oferta de remuneração.
A empregada perguntou: "mas isso é com penso ou sem penso?"
Diante da perplexidade da patroa, explicou: "Se a Senhora falar tudo e eu só tiver que fazer, é uma coisa. Mas se a Senhora quiser que eu pense, tipo pense no que vai ser para o almoço, pense no que vai ter que comprar, pense no que tem que limpar primeiro, aí é outra coisa..."

Eduardo disse...

Já cometi o erro de detalhar e ver meu projeto aparecer maquiado numa loja de brinquedos. Brincaram comigo...só não achei graça %[