terça-feira, 5 de agosto de 2008

De volta para o futuro

Você deve se lembrar do filme que tinha Michael J. Fox e Christopher Lloyd como protagonistas. Marty McFly (Fox) era um típico adolescente americano de classe média dos anos 80: tocava em uma banda, tinha pais caretas e curtia o som no volume máximo. Seu pai, um fracassado que trabalhava como um escravo para seu superior. Sua mãe , uma alcoólatra frustrada com o casamento, e seus irmãos, dois inúteis. McFly é chamado por seu amigo, o cientista Emmet "Doc" Brown (Lloyd), para testemunhar seu mais novo experimento: a máquina do tempo (um carro esporte luxo chamado DeLorean). Por acidente, Marty volta 30 anos no tempo, interferindo no encontro entre seus pais e, o que é pior, sua mãe se apaixona por ele. Agora ele tem que pedir ajuda para conseguir voltar para o futuro, e também precisa fazer seus pais se apaixonarem novamente antes que ele desapareça - afinal, se seus pais não se apaixonarem, ele não existirá!!!

As notícias recentes sobre algumas mídias do marketing direto têm me lembrado muito esse filme. De um lado a medida da Federal Trade Commission americana criando uma lista de exclusão de telefones disponíveis para ações de telemarketing ativo. De outro o crescimento assustador de ações de SPAM e, consequentemente, a demanda por legislação que controle a invasão diária dos computadores.

Na primeira semana de criação, o cadastro de “not call” já contava com mais de 12 milhões de números de telefones cadastrados. A estimativa era que esse número poderia chegar a 60 milhões de aparelhos, ou seja, quase um terço dos 192 milhões de telefones existentes no país.Existe um estudo demografico muito interessante sobre quem foram as pessoas que se registraram na lista nas primeiras semanas (que você pode ler aqui)

Se, por um lado isso pode ser preocupante para a indústria americana de telemarketing, por outro não deixa de ser previsível. Com certeza os respondedores de ações de telemarketing não devem estar entre os que cancelaram suas chamadas e os anunciantes vão economizar muito dinheiro sabendo de antemão para quem não devem ligar – sabidamente telemarketing ativo não é a mídia mais barata que existe.

Do lado do web marketing continua a grita geral contra os spammers e os governos locais, ingenuamente, acreditam que podem barrar o spam a partir de legislação, como se uma legislação brasileira ou americana fosse capaz de impedir os mal intencionados de usar endereços de Tanganica para mandar Spam, o que tem sido feito com cada vez mais freqüência, o que não vai impedir alguns políticos de fazer demagogia a respeito.

Para piorar, com a altíssima penetração da telefonia móvel, passamos a receber chamadas de telemarketing e spam de SMS a qualquer momento do dia ou da noite. Imagino que estejamos muito próximos de sermos atacados por pop-ups na telinha.

Olhando para esse cenário, cada vez mais tenho a sensação que a mala direta e o uso de mídias de massa com anúncios de resposta direta estão a caminho de se tornar o futuro do marketing direto (não se esqueça que o clássico anúncio em jornal de John Caples – “They all laughed when I sat down at the piano” – data da década de 50...do século passado !). Se você imagina que isso pode ser um retrocesso, acredite, pode ser o caminho para incrementar as operações de call center e ser o gerador de muitos acessos a sites que se posicionem como canais de resposta.

Afinal, no fim da história, McFly garante o casamento dos seus pais e a sua própria existência.

2 comentários:

Volney Faustini disse...

Gostei da dica, Fábio.

Talvez seja o caminho pra 'apimentar' os posts - discutir os velhos tempos e como a gente acaba voltando pro passado.

Essa peça dos anos 50 ... "Eles riram ..." merece certamente um post. Nos brinde please!

Alex Frachetta disse...

Nossa, tem estados dos EUA que cobram taxa para que o cidadão se cadastra na lista! Que coisa mais brasileira! :)